Com a proximidade do verão e do calor intenso, uma preocupação natural dos produtores é garantir que não haja estresse calórico em bovinos. Além de provocar mudanças no comportamento e na fisiologia desses animais, pode gerar perdas significativas de desempenho. 

A proporção dos impactos do calor nas criações de animais, em muitos casos, não são identificados por desconhecimento dos produtores ou descaso. Os ajustes ou modificações para mitigar o efeito do estresse calórico em bovinos ficam restritos aos produtores, que devem conhecer os seus impactos

A alta exposição ao calor e a radiação solar pode provocar consequências não somente no gado de corte, mas também, por exemplo, entre os bovinos de leite, os suínos e as galinhas.

 Veja como reduzir os efeitos do calor na criação de aves 

Esse estresse calórico acontece porque a taxa de ganho (além da produção metabólica) de calor excede o índice de perdas ou dissipação do mesmo. Esta condição tira os bovinos de sua zona de temperatura neutra, fazendo com que eles passem a consumir maior volume de água em detrimento da ingestão de alimentos. 

Por consequência, há diminuição da atividade física devido a tentativa de uma menor liberação de calor corporal por meio da taxa metabólica. Nos bovinos de corte, caso não haja um ajuste comportamental e fisiolólico nas condições de manutenção dos bovinos e a perda de produtividade seja alta na fase de engorda, o romaneio do lote abatido sofrerá perdas importantes. 

Um dos prejuízos principais é observado no desempenho da carcaça, que terá rendimento menor. É possível identificar quando isso ocorre: alguns dos sinais mais comuns de calor excessivo são a respiração ofegante dos animais e a boca constantemente aberta, com a narina dilatada e a língua de fora, para respirar mais. 

Confira os principais fatores que ajudam a identificar o estresse calórico em bovinos (fonte: Rehagro): 

  • Diminuição na produção de leite de 10 a 20%;
  • Frequência respiratória acima de 80 movimentos por minuto em 70% dos animais do lote;
  • Temperatura retal maior que 39,2ºC em 70% dos animais do lote ou acima de 39ºC por mais de 16 horas seguidas;
  • Redução de pelo menos 10 a 15% na ingestão de alimentos (observar a leitura de cocho);
  • Aumento do consumo de água.

 

Como reduzir o estresse calórico em bovinos?

Atualmente, existem maneiras de mitigar os reflexos do estresse calórico em bovinos. Garantir uma dieta de acordo com as necessidades nutricionais de cada criação, e adaptá-la quando possível para reduzir a produção de calor metabólico, por exemplo, são formas de promover o bem-estar animal. 

Outra forma mais simples é prover aos animais um abrigo, ou seja, garantir espaços com sombra para que eles possam se proteger e evitar o contato direto com a radiação solar. 

O sombreamento de área pode ser tanto natural, composto por vegetação, quanto artificial, com a construção de sombrite de no mínimo 80% de retenção da radiação (coberturas normalmente feitas com redes plásticas ou telas de polietileno).

Em ambas as condições, a área de sombreamento deve ser suficiente para abrigar todos os animais, com recomendações que variam entre 3,5m2 a 5mpor animal. 

Essa tática reduz a incidência dos raios solares sobre os animais, mas é insuficiente para regularizar a temperatura corporal dos animais, caso se mantenham as condições climáticas e atmosféricas adversas. Assim, outra opção é investir em aspersores de água e ventilação automática sempre que possível, pois são capazes de reduzir bastante os efeitos do calor sobre os animais. 

O investimento em sistemas de sombreamento nos confinamentos de gado de corte é chancelado pelos resultados de uma pesquisa feita pela Nutron/Cargill, que confirmou que o animal na sombra respira numa taxa mais lenta e que a temperatura corporal dele fica mais baixa do que o animal exposto diretamente ao Sol. 

Isso faz necessário menos dreno de energia e, consequentemente, uma sobra maior de energia para manter esses animais produtivos. Confira em números o consumo dos animais:

  • De matéria seca foi 8% menor entre os animais submetidos ao tratamento com sombra, sem efeito sobre o ganho de peso em relação aos demais; 
  • A conversão alimentar e biológica para animais com sombra foi, respectivamente, 11% e 15% melhor; 
  • Na sombra apenas 1% dos animais apresentou respiração ofegante;
  • 16% dos animais sem sombra tiveram quadro de ofegação.

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