No Chile, a produção nacional da proteína cresceu 100%, em 2018, e quadruplicou a oferta nas gôndolas dos supermercados

Galinhas engaioladas, com pouco espaço e sem poder andar nem ciscar. Por muito tempo, o modelo tradicional de criação de aves reinou em granjas por todo o mundo, mas esta realidade mudou. Hoje, o sistema cage free, ou de galinhas livres de gaiolas, já é uma tendência na América Latina. Prova disso é o aumento expressivo nas certificações de bem-estar animal para galinhas poedeiras emitidas pelo Instituto Certified Humane – ONG que trabalha para melhorar a vida dos animais criados para a produção de alimentos. “Em 2019, já certificamos 12 granjas com o selo apenas na América Latina, fora outras 16 já com o selo. Em 2015, eram somente quatro na região”, comenta o diretor da Organização, Luiz Mazzon.

A demanda de produção de ovos de “galinhas felizes” disparou no ano passado. No Chile, por exemplo, apenas 1% deles eram produzidos no sistema cage free. Em 2018, este percentual atingiu 2%, ou seja, 76 milhões de ovos segundo dados da Associação dos Produtores de Ovos (ChileHuevos). Outro destaque de produção e consumo da proteína proveniente de galinhas livres é o Brasil – a Mantiqueira, maior granja de ovos do país, adere parte da produção ao manejo humanizado das aves desde 2017. “Estes dois países lideram o movimento de certificação de bem-estar animal para galinhas poedeiras no sistema livre de gaiolas na América Latina. São 19 granjas certificadas entre o Brasil e o Chile”, revela Mazzon.

Este aumento no número de certificações confirma que o consumo de ovos está mais consciente. Cerca de 100 empresas brasileiras, por exemplo, incluindo grandes redes de supermercados, assumiram o compromisso de utilizar apenas ovos de galinhas livres até 2025. Já no Chile, uma das principais redes gastronômicas, que controla oito restaurantes, em Santiago, eliminou do cardápio ovos de galinhas confinadas. A Ecoterra, primeira empresa chilena a participar do programa Certified Humane, passou a ser o fornecedor exclusivo do Melting Cook. Ainda, o W Santiago Hotel, que pertence à rede de hotéis Marriott, uma das maiores do mundo, anunciou que utilizará somente ovos da marca Huevos La Castellana, produzidos pelo Huevos Coliumo, que também possui o selo de bem-estar animal cage free do Instituto. 

O selo de bem-estar animal Certified Humane 

A certificação de bem-estar animal Certified Humane é a garantia para o consumidor de que o alimento é proveniente de granjas ou fazendas que desenvolvem práticas responsáveis de manejo. A ONG é líder na emissão de certificados para galinhas poedeiras criadas no sistema cage free na América Latina. “Felizmente as empresas e produtores estão entendendo que são os consumidores que determinarão o futuro do mercado. Eles estão exigindo que ovos sejam produzidos por galinhas livres de gaiolas e então estas empresas e produtores precisam se adequar a essa nova realidade”, explica.

As empresas processadoras de alimentos que não tenham criações de animais também podem usar o selo Certified Humane em seus produtos. Basta que sigam algumas regras:

  • Todos os ingredientes de origem animal destes produtos precisam ser certificados pela Certified Humane;

  • Ingredientes e produtos certificados devem ser identificados e segregados durante a armazenagem, manipulação e fabricação;

  • É preciso que as empresas mantenham todos os registros que comprovem a natureza dos ingredientes adquiridos e que tenham procedimentos de segregação formalizados;

  • As indústrias necessitam seguir todos os padrões Certified Humane para a rotulagem e uso do selo e devem receber anualmente uma auditoria de rastreabilidade da certificadora.

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