Assim como todo ser vivo, a vida dos animais de produção também passa por algumas etapas desde o seu nascimento até o abate. Este processo não é diferente com os suínos. Após o desmame, eles passam pela creche, crescimento até chegar na fase que precede o abate dos animais para o processamento de derivados, chamada de suínos em terminação.

Em quaisquer destes períodos o importante é manter uma criação humanitária, levando em consideração as normas do programa de certificação de bem-estar animal Certified Humane. O cuidado vai muito além de oferecer água e alimento e um alojamento aos animais.

O professor da Universidade de São Paulo, Adroaldo Zanella – que também faz parte do Comitê Científico da Certified Humane – explica que existe uma estrutura do sistema nervoso central nos seres humanos que também está presente nos mamíferos, pássaros, anfíbios, répteis, peixes e alguns invertebrados. Esta estrutura permite que os animais tenham percepção sobre o meio em que estão inseridos. 

Em outros termos, isso significa que eles são seres sencientes, sentem dor, alegria, prazer. Assim, selecionamos e elencamos neste artigo 9 dicas para manter o manejo humanitário nas etapas de crescimento da vida dos suínos em terminação. 

 

1.Manejo na chegada

Assim que os animais chegarem à propriedade é necessário realizar uma avaliação da sua condição de saúde e organizar agrupamento, normalmente de acordo com o peso. Os suínos devem ser mantidos em grupos e em baias com o mínimo de reagrupamentos possível, pois é normal que ocorram brigas para determinar a hierarquia. Quanto menos reagrupamentos à medida que eles crescem, melhor para a produtividade e bem-estar dos animais. 

Para que este período não seja tão estressante para o animal, é importante prevenir o comportamento agressivo também quanto ao acesso aos comedouros e bebedouros, que devem ser ofertados e distribuídos de forma a minimizar a competitividade. 

Assim, não haverá disputa por comida nem interferência indevida de outros animais. Se os suínos brigarem ao ponto de causar ferimentos recorrentes, um plano de manejo deverá ser elaborado.

 

2.Manutenção dos alojamentos dos suínos em terminação

Os suínos são curiosos naturalmente e adoram fuçar. Por isso, é importante que tenham acesso à palha ou outros substratos adequados para expressarem seu comportamento natural. 

Outros objetos para manipulação, como correntes, bolas e cordas também são indicados como ferramentas para o enriquecimento ambiental, favorecendo para minimizar a ocorrência de comportamentos anormais.

Os encarregados pelo cuidado dos animais devem observar e inspecionar os animais e as instalações, pelo menos uma vez ao dia, e saber reconhecer as condições em que os suínos estão propensos a problemas de bem-estar. Se houver alguma adversidade, deve ser resolvida imediatamente.

 

3.Densidade adequada

Conforme o referencial HFAC de bem-estar animal para suínos, os animais devem ser mantidos ou ter acesso a todo o momento a uma área de repouso de construção sólida (não vazada), com cama suficiente para evitar desconforto e com inclinação ou cama suficiente para proporcionar uma superfície bem drenada e seca.

Os animais devem ter à disposição um espaço de piso total que corresponde a pelo menos 1,5 vez a área mínima que ocupam para se deitar. Existe um espaço mínimo de cama que varia conforme o peso do suíno, conforme a tabela abaixo: 

Existe um espaço mínimo de cama que varia conforme o peso do suíno


4.Manejo alimentar

A alimentação balanceada e, de acordo com os requerimentos nutricionais conforme a fase produtiva, é de extrema importância para que os animais se mantenham produtivos e não apresentam debilidades ou problemas de saúde. 

Nenhum animal deve ter escore de condição corporal inferior a 2 ou maior que 4 e se deve considerar uma variação conforme a fase produtiva dos suínos. Outro ponto é que eles não devem ser alimentados com antibióticos de forma preventiva, nem outras substâncias que promovam o crescimento ou alterem a composição corporal. 

No caso do uso da medicação, os antibióticos podem ser administrados individualmente apenas com finalidade terapêutica e sob orientação do veterinário. Existem algumas regras específicas relacionadas à alimentação dos suínos em terminação que podem ser verificadas neste material que preparamos.

 

5.Conforto térmico

 

Nem quente demais, nem tão frio. O ambiente em que o suíno deve ser criado varia conforme a etapa de vida, por isso o alojamento deve ser termicamente conservado para que os suínos não sofram de diestresse por frio ou calor. Os intervalos de temperaturas recomendadas variam conforme o peso e a idade, e podem ser de 10 a 32°C. A temperatura recomendada para os suínos em terminação é em torno de 16 a 18°C.

Durante os dias de calor abundante, algumas precauções devem ser adotadas, como o uso de piscinas de lama nos piquetes, sombra natural ou artificial, refrigeração evaporativa, gotejadores, aspersores e até ventiladores. 

 

6.Cuidado com a sanidade animal

Até a iluminação pode fazer a diferença na criação dos suínos e deve estar sempre presente para o caso de serem inspecionados. A ventilação é outro item essencial para evitar a umidade elevada, condensação e correntes de ar, já que os suínos são suscetíveis a doenças respiratórias. 

Vale lembrar que a amônia não deve exceder 10 ppm e a poeira inalável não deve exceder 5 mg/m3. Quando os suínos estiverem alojados internamente, deve haver precauções para garantir que os contaminantes aéreos não atinjam um nível perceptivelmente desagradável a um observador humano. 

 

7.Desempenho do rebanho

O monitoramento dos animais deve ser realizado em todas as etapas, não somente dos suínos em terminação. Os dados precisam ser verificados em relação aos sinais de doenças ou de distúrbios na produção ou comportamentos anormais. 

Se qualquer parâmetro do desempenho do rebanho estiver fora dos limites de tolerância identificados no PSA (Plano de Saúde dos Animais), o veterinário deverá ser avisado e a estratégia revista. 

 

8.Planejamento sanitário animal (PSA)

Todas as unidades de suínos devem ter um PSA por escrito e que seja regularmente atualizado após consulta com veterinário. Ele deve conter detalhes de todas as vacinações, informações sobre tratamentos, controle parasitário, causas de morbidez e mortalidade e limites de tolerância no desempenho geral do rebanho. 

Devem ser tomadas provisões para a segregação e cuidado de animais doentes e feridos. Se necessário, sacrificado humanitariamente. Muita atenção deve ser dada às condições dos cascos, que precisam ser regularmente examinados em busca de sinais de desgaste anormal, crescimento excessivo ou infecções.

 

9.Limpeza e desinfecção

Além de definições relacionadas à vacinação e à segregação dos animais, o PSA também deve conter precauções de biosseguridade, assim como políticas de limpeza e desinfecção.

As normas para os suínos em terminação são bastante similares às dos animais nas mais diferentes idades produtivas. O indispensável é que eles sejam tratados com respeito e tenham uma vida digna do nascimento ao abate. 

Baixe gratuitamente o referencial para o bem-estar animal dos suínos. 

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