Manter o equilíbrio corporal das vacas leiteiras é fundamental para garantir a saúde do animal e a produção de leite em quantidade e qualidade adequadas. Isto não é segredo para os produtores, mas o que muitos ainda não têm claro é como monitorar o desenvolvimento dos bovinos leiteiros da maneira correta. A forma mais eficaz de avaliar os animais é acompanhar o ECC – Escore da Condição Corporal dos bovinos.

Dentre as possibilidades de uso do ECC está a aferição sobre o manejo nutricional, como o alimento que o animal recebe, e se o mesmo é adequado à fase produtiva. Em outras palavras, o ECC é uma ferramenta de manejo animal a qual deve ser usada como parâmetro para ajustar a nutrição adotada. Ele serve ainda como indicador da sanidade, uma vez que animais doentes tendem a comer menos e emagrecer, ficando debilitados. 

Com base no ECC, é possível corrigir as práticas sanitárias de forma a maximizar o potencial produtivo e minimizar as desordens reprodutivas dos bovinos leiteiros. Resumindo, o escore da condição corporal em bovinos é um indicador direto de bem-estar animal. Por este motivo, a avaliação rotineira do ECC pode (e deve) ser aplicada a animais de todas as faixas etárias (desde bezerra até vaca em lactação) seguindo as normas internacionais do Comitê Científico da HFAC – Humane Farm Animal Care. 

Ou seja, além de ajudar o produtor a manter o equilíbrio entre o manejo alimentar e a viabilidade econômica da atividade leiteira, a adoção criteriosa da avaliação do ECC em bovinos de leite – quando realizada por pessoas treinadas – acaba com a avaliação das condições de saúde do animal feitas no “olhômetro”.

Fator de produtividade

Conforme publicação do MilkPoint, maior portal sobre lácteos do mundo, a importância em assegurar e monitorar o equilíbrio corporal está diretamente ligada a produtividade. Vacas muito magras, por exemplo, produzem menos leite porque tem pouca reserva corporal, resultando ainda em problemas metabólicos e de baixa libido pós-parto. Já as vacas acima do peso, podem desencadear doenças metabólicas, apresentar dificuldades no parto e também ter redução da produção de leite.

Por outro lado, as vacas em “boa” condição corporal no parto (em equilíbrio) maximizam a produção ao mesmo tempo em que tem seu bem-estar garantido. A professora Dra. Rosângela Poletto Cattani, especialista em bem-estar de animais de produção e membro do Comitê Científico da HFAC, destaca que o escore da condição corporal em bovinos de leite ideal varia conforme a fase produtiva e o estado fisiológico de cada animal. Por isso, requer pessoal devidamente treinado e um olhar individualizado. Por exemplo, o ECC na fase do pré-parto é determinante para assegurar que as vacas tenham condição corporal adequada ao parto. “Vacas com ECC elevado tendem a ter mais problemas reprodutivos”, explica a especialista.

Outro auxílio do ECC ocorre nos momentos após a vaca leiteira parir. Isto porque, logo após o parto, as vacas têm maior dificuldade de ingerir as quantidades ideais de alimento que o corpo precisa, em um período em que a produção de leite demanda mais energia. Por isso, a alimentação em níveis adequados é essencial para prevenir a perda excessiva de peso e garantir uma boa produtividade. Do mesmo modo, quando a vaca está muito magra e o ECC na fase de pré-parto for baixo, a tendência é de haver sofrimento maior após a parição e ocasionar o comprometimento de sua produção leiteira.

Classificações e escala ECC

Hoje, a escala do escore da condição corporal dos bovinos de leite mais utilizada varia de 1 a 5 (EDMUNDSON et al., 1989). O primeiro nível serve para indicar que a vaca está extremamente magra, enquanto o quinto nível aponta para gordura excessiva (veja quadro abaixo). É importante saber que, dependendo do grau de experiência do avaliador, a escala pode ser dividida em escalas de 0,50 ou 0,25 pontos.

Também é importante considerar o que diz o ‘Padrão FW 5’ que descreve sobre a condição corporal na sessão “Alimento e água” da norma HFAC para a conquista do selo de bem-estar animal Certified Humane. O documento determina que:

a.  Os animais devem ser alimentados para que mantenha plena saúde e capacidade de reprodução normal pelo período máximo previsto de vida.

b.  Alterações nas condições corporais devem ser cuidadosamente planejadas, monitoradas e mantidas de acordo com o estágio da produção.

c.   Em todos os momentos, os animais devem ter um escore de condição corporal (ECC) de pelo menos

d.   Nenhum animal com ECC menor que 2 deve ser transportado ou deixar a propriedade a menos que seja para o tratamento veterinário.

Resolvida a questão da importância de considerar o equilíbrio corporal dos animais para a certificação, outra dúvida sobre o escore da condição corporal em bovinos é quanto ao ECC ideal, na escala de 1 a 5, para cada faixa etária das vacas leiteiras. Montamos abaixo uma tabela que considera que os bovinos devem ser alimentados para atingir os seguintes ECCs, confira:

2,75-3,25: 3,25-3,75 (1-120 dias): 2,5-3,25 (120-304 días): 2,75-3,25 (305+ dias): 3,0-3,5

  • Novilhas em crescimento: 2,75 – 3,25
  • Vacas secas e novilhas no parto: 3,25 – 3,75
  • Início da lactação (1-120 dias): 2,5 – 3,25
  • Meio da lactação (120-304 dias): 2,75 – 3,25
  • Fim da lactação (305+ dias): 3,0 – 3,5

Escala para definir o escore da condição corporal em bovinos de leite:

Escore Aparência Condição
1 Condicionamento reduzido grave (Emaciado) Apófises espinhosas e transversais proeminentes, nenhuma camada de gordura, cavidade profunda em volta da base da cauda, depressão profunda no lombo,
2 Esqueleto evidente Apófises espinhosas e transversais proeminentes porém macias, fina camada de gordura, pequena cavidade em volta da base da cauda com uma fina camada de tecido adiposo,
3 Moderado, esqueleto e cobertura bem equilibrada Apófises espinhosas e transversais arredondadas, desenvolvimento muscular completo, nenhuma cavidade em volta da base da cauda, pequena depressão na área do lombo,
4 Esqueleto não tão visível como a cobertura Apófises espinhosas evidentes apenas como uma linha, camada de gordura considerável, porém firme, apófises transversais não podem ser sentidas, base da cauda arredondada com gordura, nenhuma depressão na área do lombo,
5 Condicionamento excessivo grave (Obeso) Apófises espinhosas e transversais não detectáveis, camada de gordura densa e macia, base da cauda enterrada, sob grossa camada de tecido adiposo,


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