Desde 2009, a Certified Humane vem atuando em países da América Latina, além dos Estados Unidos e o Canadá. Em oito deles existem empresas certificadas com o selo de bem-estar animal.

No ano passado, as operações fora da América do Norte, que já tinham chegado à Jordânia, Austrália e Nova Zelândia, praticamente duplicaram, chegando a mais três países asiáticos – Cingapura, Malásia e Índia. A criação de animais de produção de acordo com normas que promovam uma vida sem sofrimento e privação de liberdade é uma tendência mundial que conquista novos mercados. 

Agora, em janeiro, o diretor de operações internacionais da Humane Farm Animal Care (HFAC), criadora do selo Certified Humane, Luiz Mazzon, estará novamente no continente asiático para expandir os negócios e levar o programa de certificação de bem-estar animal ainda com mais força à região. Para isso, ele participará de uma mesa redonda com produtores de ovos da Índia e vai palestrar, em nome da HFAC, sobre o sistema de certificação que dá ferramentas ao produtor para comunicar ao consumidor suas práticas mais responsáveis de criação animal. 

“O ano de 2019 para a Certified Humane foi excelente e estamos nos consolidando como a certificadora de bem-estar animal com maior credibilidade e alcance do mundo. Incluindo as recentes operações certificadas na Ásia, somamos 216,6 milhões de animais beneficiados com inspeções em mais de 260 empresas, representando milhares de produtores em 16 países (Argentina, Austrália, Bahamas, Brasil, Canadá, Chile, Cingapura, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Jordânia, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, e Uruguai)”, comenta Mazzon. 

O diretor participou de diversos eventos no Brasil e no exterior nos últimos anos, entre eles o “Layer Feed Quality Conferences”, em Jakarta, Indonésia, e em Kuala Lumpur, Malásia, onde fez a palestra de abertura, que indica as tendências para o futuro, sobre certificação de bem-estar animal. O recado foi dado: o novo consumidor quer transparência nos produtos que consome, quer saber como é produzido o seu alimento e está se recusando a apoiar empresas que não adotam práticas mais humanitárias de produção animal. 

A certificação de bem-estar animal vem para responder a esta demanda. O interesse de todo o mundo no tema demonstra que este sistema vem ganhando relevância como uma opção de sustentabilidade na produção de alimentos. O resultado desse trabalho está vindo no formato de reconhecimento e novos clientes. 

Crescimento mundial

O desafio da Certified Humane é educar os consumidores finais sobre o quanto é importante uma produção animal com manejo humanizado. A trajetória para chegar ao continente asiático, nova fronteira para a certificação do bem-estar animal, iniciou em 2018, quando Luiz Mazzon esteve em Surabaya, na Indonésia, em um evento promovido pela Humane Society International direcionado aos produtores de ovos da região. 

Os mais de 80 participantes eram de granjas produtoras da Indonésia, Malásia, Cingapura, entre outros países, além de acadêmicos, fornecedores de equipamentos e especialistas do setor. Representantes de empresas que usam ovos como ingredientes, como a Sodexo – fornecedora de serviços de alimentação – e a cadeia de restaurantes Potato Head também marcaram presença. “O que pude trazer deste encontro é que as empresas estão anunciando compromissos de compra de ovos de galinhas livres e, com tanta demanda, não haverá fornecedores na região. Por isso, nosso trabalho é tão importante”, comenta.

Um ano depois, três empresas na região foram certificadas com o selo de bem-estar animal: a Toh Thye San Farms (TTS) e Chew’s Farm Agriculture, de Cingapura, e Liang Kee Farming, da Malásia. Esta última, inclusive, está investindo na instalação do maior aviário multinível para a criação de galinhas no sistema cage free do sudeste asiático. Outras quatro granjas na Malásia e na Índia foram inspecionadas e estão atualmente ajustando suas operações para estarem conformes com os requisitos do programa Certified Humane.

Força na Ásia

“Este é um grande movimento de empresas comprometidas em aplicar investimentos em favor do manejo humanizado dos animais que estão chegando a países como China e Tailândia também”, reforça Luiz Mazzon. Com isso, é possível perceber cada vez mais empresas anunciando compromissos relacionados à compra de ingredientes de origem animal provenientes de fazendas ou granjas que adotam práticas mais sustentáveis. Um exemplo é o caso da cadeia britânica de supermercados Tesco, primeiro varejista no sudeste asiático que se comprometeu a vender apenas ovos de galinhas livres até 2028 nas mais de duas mil lojas Tesco Malaysia e Tesco Lotus (Tailândia).

O desenvolvimento do bem-estar animal não se restringe apenas à produção de ovos: o grupo tailandês Betagro, um dos 20 maiores produtores globais de suínos, anunciou publicamente que até 2027 irá transformar todos os seus alojamentos de matrizes suínas em sistemas enriquecidos para porcos em grupo e sem celas.

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