No Dia Mundial dos Animais, não teria como não falar sobre eles. E não só hoje, mas todos os outros dias. Eles não são coisas, são alguém. Não devem ser maltratados ou tratados como uma propriedade qualquer, merecem respeito. Assim como você. Já parou pra pensar que eles também têm sentimentos? No Dia Mundial dos Animais, esta é a reflexão que sugerimos para você fazer.

Comida, água e abrigo não bastam

O Dia Mundial dos Animais é comemorado desde 1930. O Congresso de Proteção Animal – realizado na Áustria – instituiu o dia 4 de outubro para marcar a data, pois foi o dia em que o protetor dos animais, São Francisco de Assis, faleceu. Apesar disso, os direitos dos animais só foram reconhecidos muito tempo depois, na Declaração Universal da Unesco, em 1980.

Eles são seres tão complexos quanto nós. Além das necessidades pertinentes à vida – como comer, beber e dormir – já se sabe que é indispensável considerar outros fatores para promover o seu bem-estar. Essa questão foi amplamente discutida na década de 60, quando a jornalista e veterinária Ruth Harrison investigou o modo de criação dos animais em fazendas da Inglaterra. Ela ficou aterrorizada com o que viu e contou ao mundo as barbáries presenciadas no livro “Animal Machines”. Logo depois, em 1965, um comitê do Parlamento Inglês propôs o conceito das Cinco Liberdades, que define as necessidades básicas dos animais.

Os animais são seres sencientes, diz Temple Grandin

As Cinco Liberdades dispõem sobre as condições mínimas exigidas para a criação dos animais. As proposições até foram revisadas em 2009 mas os estudos sobre bem-estar animal já estão mais evoluídos que isso. No Dia Mundial dos Animais, é indispensável fazer referência aos estudos e orientações de Temple Grandin, referência mundial sobre o assunto.

No começo, o bem-estar animal passou a ser seguido para evitar perdas produtivas. Hoje, já não é bem assim. Logo se percebeu que os animais são seres sencientes, ou seja, têm sentimentos. Eles sentem dor ou angústia, por exemplo. Ao fazer essa constatação, Temple passou a pensar no manejo racional dos animais de produção. Além disso, como ela mesmo indica, é preciso prestar atenção em todos os sinais que eles dão. Se ficam agitados, é porque há algo de errado. São como com os seres humanos – ninguém gosta de ficar preso ou de não poder se relacionar com o outro e conter seus comportamentos naturais, por exemplo.

Eles merecem viver uma vida decente

É fato que as pessoas se alimentam todos os dias de produtos de origem animal. Vão continuar se alimentando, mas tratá-losDia mundial dos animais com sofrimento e dor é algo inadmissível. Justamente por nos servirem é que os animais merecem todo o nosso respeito. Eles não podem tomar suas próprias decisões, mas o produtor pode escolher a forma de conduzir a sua criação. O manejo humanizado é uma questão que está fazendo a diferença na decisão de compra dos consumidores. Para os produtores, os benefícios são em produtividade. Para os animais, significa proporcionar-lhes uma vida que valha a pena viver, conforme o que indica Temple Grandin.

Nem todos estão preparados para lidar com os animais de produção. Quem está à frente do manejo não pode estar sobrecarregado. Este é um dom natural, que precisa de treinamento e capacitações contínuas. Quanto ao consumidor, já se percebem mudanças de comportamento, mas ainda há muito para se avançar. Sem dúvidas, é o público que pressiona as empresas, granjas e fazendas a investirem no bem-estar animal. É um fluxo contínuo – o consumidor exige boas práticas e o produtor e a indústria se obrigam a mudar para se manterem no mercado, “olhando” de uma forma diferente para os animais. Para avaliar se isso de fato está acontecendo, o trabalho de instituições como a Certified Humane é essencial. Por fim, os animais “agradecem” garantindo melhores desempenhos em produtividade.

Todos os anos, bilhões de animais são criados para o consumo humano, fornecendo leite, carne, ovos e outros produtos. Muitos deles vivem uma vida infeliz, com sofrimento e estresse. No Dia Mundial dos Animais, o recado que queremos deixar é que não podemos dar as costas para este problema. A Certified Humane trabalha para melhorar a vida deles, do nascimento ao abate. Mas precisamos da sua ajuda, produtor e consumidor, para promover a eles uma vida mais feliz.  

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