A referenciada Universidade de São Paulo (USP) vem realizando uma pesquisa que busca descobrir se as necessidades nutricionais de galinhas poedeiras criadas em sistema cage-free são as mesmas demandadas por aves mantidas em sistemas convencionais de produção. 

Resultados preliminares indicam que o percentual de produção de ovos e o consumo de ração apresentam diferença significativa (p<0,05) em galinhas poedeiras do sistema cage-free. Os próximos passos do estudo devem envolver o custo de produção do ovo identificando qual nível dietético de proteína bruta servida aos animais é o mais viável economicamente para este sistema de produção.

Liderada pela doutora Cristiane Araújo, professora do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP em Pirassununga (SP), a primeira etapa da pesquisa alojou 540 galinhas poedeiras comerciais (Hy-Line Brown). Cada box, de 3,8 metros quadrados, recebeu seis aves por metro quadrado para viabilizar as análises. 

O alojamento das galinhas dedicado à pesquisa seguiu o protocolo Welfare Quality e garantiu a presença de poleiros e ninhos com o enriquecimento ambiental durante os experimentos.

 

Resultados preliminares

Inicialmente, além de apontar diferenças importantes no percentual de produção de ovos e o consumo de ração dos animais, os resultados de momento indicam que o peso médio e a massa do ovo das galinhas poedeiras criadas soltas nas baias não foram afetados pelos diferentes níveis de proteína bruta (PB) estudados, que variaram de 14% a 18% na dieta. 

Descobriu-se, por exemplo, que com 14% de proteína bruta adicionada na dieta das galinhas, o consumo de ração médio foi menor, enquanto o maior percentual produtivo foi obtido com 16% de PB.

O intuito principal da pesquisa está ligado ao crescimento do mercado de ovos de galinhas criadas livres de gaiola – em 2025 as grandes empresas nacionais só irão utilizar ovos originários de criações do gênero, associadas ao bem-estar animal e em consonância com consumidores preocupados com sistemas de produção mais dignos. 

 

Produção

Cerca de 75% dos custos de produção avícola são provenientes da alimentação, sendo que a energia e a proteína são as parcelas mais significativas desse montante.

Outro fator é que no modelo cage-free as aves têm acesso a ninhos e a preservação de comportamentos naturais da espécie, como a possibilidade de ciscar e empoleirar-se, enquanto o sistema de alojamento em gaiola as demais formas de criação podem provocar estresse, e incidência de canibalismo, entre outros. 

Por isso, superar os desafios da nutrição e fornecer aos animais alimentos que atendam às necessidades dos organismos e promovam saúde e bem-estar de forma eficiente são considerados essenciais ao trabalho. 

Justifica-se assim a crescente de estudos voltados ao segmento e a alta no número de granjas interessadas em se estruturar para atualizar seus modelos de criação e que encontram na certificação de galinhas poedeiras uma ponte para o futuro do negócio.

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Próxima etapa

Conforme os idealizadores, as próximas etapas do estudo irão envolver o desenvolvimento de modelos matemáticos que irão possibilitar o cálculo do custo de produção do ovo no sistema cage-free, visando decifrar qual nível dietético de proteína bruta é o mais viável economicamente para este modelo de produção. 

Outra preocupação será estimar o custo necessário para adaptar um galpão convencional de avicultura para a produção de ovos em sistema alternativo. Toda propriedade, independentemente do seu tamanho e capacidade de criação, pode ser adaptada para a produção de galinhas poedeiras cage-free. Veja como

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