Ovos livres de gaiola no Brasil: avanços, desafios e o papel da Certified Humane

Um levantamento inédito divulgado pela Alianima revela um panorama detalhado sobre a produção, comercialização e consumo de ovos livres de gaiola no Brasil.
Publicado em 2025, o relatório “Observatório do Ovo” traça um retrato fiel dos avanços e obstáculos enfrentados por produtores, varejistas e consumidores que apostam em modelos mais éticos de criação animal.
Com base em dados de empresas certificadas e compromissos públicos, o estudo joga luz sobre a transição para sistemas cage-free no país e o papel das certificações de bem-estar animal, como o selo Certified Humane.
Panorama da produção nacional: ainda majoritariamente em gaiolas
O Brasil possui atualmente um plantel estimado em 112 milhões de galinhas poedeiras em produção. Deste total, mais de 90% ainda são mantidas em sistemas intensivos com gaiolas. Em contraste, apenas cerca de 8,7 milhões de aves – o equivalente a menos de 8% – vivem em sistemas livres de gaiolas, como o cage-free, caipira e orgânico.
Apesar de ainda representar uma fatia pequena do total, a produção de ovos livres de gaiola cresceu 15% em relação ao ano anterior, somando 239,4 milhões de dúzias em 2023. Esse crescimento mostra que há uma demanda em expansão por produtos alinhados com práticas de bem-estar animal. (Fonte: Relatório “Observatório do Ovo”, 2025).
Compromissos públicos e certificações: credibilidade e rastreabilidade
O relatório mostra que 91 empresas no Brasil assumiram compromissos públicos para eliminar o uso de ovos de galinhas confinadas em gaiolas. Desse total, 40% são do setor de food service e 24% são supermercados e redes de varejo.
Um fator central para a efetividade desses compromissos é a adoção de auditorias e certificações externas. Entre os varejistas que já implementaram os compromissos, 42,9% disseram exigir certificações de bem-estar animal, sendo o selo Certified Humane o mais citado.
Entre os supermercados com 100% de conversão para ovos livres de gaiola estão Casa Santa Luzia, Empório Varanda e Festval, que já comercializam apenas ovos livres de gaiolas em suas unidades. Estes exemplos mostram que a transição é viável, especialmente quando há fornecedores disponíveis e demanda consolidada.
Varejo: percepção de valor e desafios logísticos
Os dados do relatório indicam que os principais benefícios percebidos pelos varejistas ao comercializar ovos cage-free são a imagem positiva da marca e o aumento na percepção de valor pelo consumidor.
No entanto, a transição ainda é desigual entre as regiões. O acesso a fornecedores é o principal entrave identificado por redes localizadas nas regiões Norte e Nordeste, onde a presença de granjas certificadas é mais limitada e os custos logísticos são elevados.
Por outro lado, o Sudeste concentra a maioria dos compromissos e da oferta de ovos livres de gaiola. A pesquisa identificou ainda que 71,4% dos supermercados entrevistados conhecem certificações como a Certified Humane, o que aponta para um avanço no nível de informação do setor em relação às práticas de bem-estar animal.
Consumo consciente: cenário e tendências
Embora o consumidor final nem sempre tenha clareza sobre os diferentes sistemas de produção de ovos, há sinais de mudança. Um número crescente de clientes busca produtos com maior transparência, e iniciativas como o Observatório do Ovo ajudam a ampliar o conhecimento sobre os impactos dos sistemas de criação intensiva.
Produtos com selos reconhecidos agregam valor ao portfólio e facilitam a comunicação de responsabilidade social pelas marcas.
A migração para sistemas livres de gaiola também se alinha às exigências de mercados internacionais. Países como os da União Europeia impõem restrições severas à importação de produtos de origem animal que não atendem aos padrões mínimos de bem-estar. Ou seja, para além de um compromisso ético, essa transição representa uma estratégia competitiva.
Certified Humane: referência internacional em bem-estar animal
Entre os selos citados no relatório, o Certified Humane se destaca como o principal referencial adotado por produtores e redes varejistas.
A certificação assegura que as galinhas poedeiras tenham liberdade de movimento, acesso à alimentação nutritiva, ambientes enriquecidos, iluminação controlada e manejo livre de práticas cruéis, como o confinamento em gaiolas. Ela também contribui para mitigar riscos sanitários, melhorar a qualidade dos ovos e atender a consumidores mais exigentes.
O selo, além de ser reconhecido internacionalmente, oferece rastreabilidade, verificação independente e diretrizes claras de manejo para cada fase da produção. Assim, ele representa uma ponte entre as demandas do mercado, a responsabilidade das marcas e a expectativa ética dos consumidores.
Caminhos para o futuro: como acelerar a mudança
O relatório da Alianima conclui que o avanço da produção de ovos livres de gaiola no Brasil depende de três fatores principais: o fortalecimento das políticas públicas de fomento, o compromisso real das empresas com a execução das metas de transição e o acesso facilitado à informação pelo consumidor.
Certificações como a Certified Humane são peças-chave nesse processo, pois promovem a confiança, padronizam práticas e contribuem para educar tanto os profissionais da cadeia produtiva quanto o público final.
À medida que o Brasil se consolida como um dos maiores produtores de proteína animal do mundo, cabe aos diferentes atores da cadeia: produtores, indústrias, varejo e consumidores assumirem a responsabilidade por um modelo mais sustentável, ético e transparente.
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2ª Edição – Orientações Técnicas para sistemas de criação de galinhas de postura comercial livres de gaiolas
Publicado em 29 julho de 2025


