Certified Humane ocupa o 1º lugar no Benchmark de Bem-Estar Animal na Aquicultura 2026

Pelo segundo ano consecutivo, a Certified Humane alcança a maior pontuação no Aquaculture Certification Schemes Benchmark, do Aquatic Life Institute (ALI), com nota 9,5 de 10.
O bem-estar dos animais aquáticos vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões sobre o futuro da aquicultura. Nesse cenário, entender como os programas de certificação incorporam critérios de bem-estar em seus padrões é fundamental para produtores, empresas, varejistas, pesquisadores e outros participantes da cadeia de produção.
É justamente esse o objetivo do Aquaculture Certification Schemes Benchmark, desenvolvido pelo Aquatic Life Institute (ALI).
Em sua quinta edição, publicada em setembro de 2026, o Benchmark avaliou 12 programas de certificação e 2 agências de classificação, representando o maior escopo alcançado pelo estudo até agora.
E, pelo segundo ano consecutivo, a Certified Humane ficou em primeiro lugar, com pontuação de 9,5/10.
O que é o Aquaculture Certification Schemes Benchmark?
O Aquaculture Certification Schemes Benchmark é uma ferramenta global e baseada em evidências que avalia como os programas de certificação e sistemas de classificação de produtos da aquicultura incorporam requisitos de bem-estar animal em seus padrões.
Em outras palavras, o estudo procura responder a uma questão importante:
Até que ponto os programas de certificação de aquicultura estabelecem critérios claros para proteger o bem-estar dos animais de produção?
O Benchmark compara os requisitos estabelecidos nos padrões dos diferentes programas e atribui uma pontuação de acordo com a presença e a robustez dos critérios relacionados ao bem-estar animal.
Segundo o ALI, trata-se da única ferramenta global baseada em evidências dedicada especificamente a avaliar a força e a clareza da linguagem de bem-estar animal presente em estruturas de certificação e classificação da aquicultura.
O resultado pode ser utilizado como referência por programas de certificação, empresas do setor de pescados, varejistas, formuladores de políticas públicas, pesquisadores, investidores e organizações de proteção animal.
O que o Benchmark avalia?
A avaliação considera diferentes aspectos relacionados às condições de criação e ao manejo dos animais aquáticos.
Entre os principais critérios estão:
Qualidade da água
A qualidade da água é fundamental para o bem-estar dos animais aquáticos. Por isso, o Benchmark verifica se os padrões estabelecem requisitos relacionados ao monitoramento e à manutenção de condições adequadas de qualidade da água.
Densidade de criação
O estudo também analisa os requisitos relacionados à quantidade de animais mantidos em determinado espaço.
A densidade pode influenciar diretamente as condições de vida dos animais e está relacionada a aspectos como comportamento, qualidade da água e possibilidade de interação com o ambiente.
Enriquecimento ambiental
Outro ponto analisado é a existência de requisitos que promovam um ambiente mais adequado às necessidades comportamentais dos animais.
Esse é um dos pontos em que ainda existem oportunidades de avanço no setor. A avaliação de 2026 indica que aspectos relacionados ao comportamento e à possibilidade de expressar comportamentos naturais continuam menos desenvolvidos em comparação com critérios operacionais de bem-estar.
Alimentação
O Benchmark avalia também como os padrões abordam a composição e o manejo da alimentação dos animais.
Transporte e manejo
O transporte e o manejo são etapas importantes para o bem-estar dos animais e também fazem parte da avaliação.
Na edição de 2026, o critério de transporte foi ampliado para contemplar também práticas rotineiras de manejo.
Insensibilização e abate
Os requisitos relacionados à insensibilização e ao abate também são considerados na avaliação, buscando verificar se os padrões estabelecem procedimentos voltados à redução do sofrimento dos animais.
Além desses critérios, o que mais é considerado?
O Benchmark também atribui pontuação a determinadas proibições consideradas relevantes para o bem-estar animal.
Entre elas estão:
- criação de polvos e outros cefalópodes;
- ablação do pedúnculo ocular de camarões;
- uso de insetos na alimentação de animais aquáticos;
- utilização de organismos geneticamente modificados para acelerar o crescimento;
- uso inadequado de antimicrobianos.
Na edição de 2026, o uso inadequado de antimicrobianos passou a fazer parte das proibições centrais avaliadas.
O relatório também destaca que seis programas avaliados passaram a proibir a criação de polvos ou cefalópodes: Certified Humane, RSPCA, ASC, Soil Association Organic, Friend of the Sea e Best Aquaculture Practices (BAP).
O que o Benchmark NÃO avalia?
Esse ponto é importante.
O Aquaculture Certification Schemes Benchmark é uma avaliação exclusivamente voltada ao bem-estar animal.
Portanto, a pontuação não representa uma avaliação geral dos programas de certificação.
O estudo não avalia:
- sustentabilidade ambiental;
- segurança dos alimentos;
- responsabilidade social;
- desempenho de governança;
- implementação dos padrões nas propriedades;
- conformidade das operações certificadas com os padrões.
Ou seja, uma pontuação elevada no Benchmark significa que o programa apresenta requisitos mais robustos e claros relacionados ao bem-estar animal, e não que ele necessariamente tenha o melhor desempenho em todas as outras dimensões da produção aquícola.
Certified Humane é novamente a primeira colocada
Na edição de 2026, a Certified Humane alcançou 9,5 pontos, mantendo a liderança pelo segundo ano consecutivo.
O resultado também representa uma evolução em relação à edição anterior. Em 2025, a Certified Humane havia obtido 8,75 pontos e também ocupado a primeira posição.
Em 2026, as três maiores pontuações foram:
1º Certified Humane: 9,5
2º RSPCA: 8,45
3º ASC: 7,95
A melhoria da pontuação da Certified Humane ocorreu após a incorporação de novas disposições de bem-estar animal aos seus padrões, incluindo mudanças realizadas a partir das recomendações apresentadas pelo ALI no Benchmark de 2025.
Por que essa avaliação é importante para a aquicultura?
A aquicultura desempenha um papel crescente na produção mundial de alimentos, e bilhões de animais aquáticos são criados em sistemas de produção.
Ao mesmo tempo, o conhecimento científico sobre o bem-estar desses animais vem avançando.
Nesse contexto, estabelecer critérios claros de bem-estar nos padrões de certificação pode ajudar a transformar esse conhecimento em requisitos práticos para a produção.
O Benchmark do ALI permite visualizar quais aspectos já estão mais consolidados nos padrões e quais ainda apresentam oportunidades de desenvolvimento.
De acordo com a avaliação de 2026, requisitos relacionados à alimentação, qualidade da água, densidade, transporte e manejo e insensibilização e abate estão cada vez mais presentes nos padrões avaliados. Por outro lado, aspectos relacionados ao bem-estar comportamental, à complexidade ambiental e às oportunidades de expressão de comportamentos naturais ainda aparecem como pontos que precisam de maior desenvolvimento.
Um reconhecimento para o avanço do bem-estar animal
O primeiro lugar da Certified Humane no Benchmark de 2026 representa um reconhecimento à presença de requisitos de bem-estar animal em seus padrões de certificação para aquicultura.
O resultado reforça a importância de estabelecer critérios objetivos, baseados em evidências e continuamente aprimorados para orientar a criação responsável de animais aquáticos.
Para a Certified Humane, esse reconhecimento reforça um compromisso que está no centro de seu trabalho: promover condições de criação que considerem as necessidades dos animais e contribuir para avanços concretos no bem-estar animal.
Conheça o Benchmark de 2026
O Aquaculture Certification Schemes Benchmark 2026, publicado pelo Aquatic Life Institute, apresenta a avaliação completa dos programas e agências analisados nesta edição.
Acesse o relatório completo para conhecer a metodologia, os critérios avaliados e os resultados de cada programa.
LEIA também:
Norma para el cultivo de Salmón del Atlántico
Publicado em 11 setembro de 2026