De uns tempos para cá, é difícil passar uma semana sem que uma grande empresa de alimentos anuncie medidas em favor do bem-estar animal. Em 2017, um ano que ainda está só começando, empresas investem em bem-estar animal, como os grupos que controlam redes de lanchonetes e restaurantes Giraffa’s, Viena, Spoleto e Domino’s Pizza assumiram o compromisso de exigir que os fornecedores de ovos não mantenham as galinhas poedeiras presas em gaiolas.

Vaca: Empresas investem em bem-estar animalBob’s e Pizza Hut tomaram iniciativas semelhantes no fim do ano passado. E isso para ficar apenas nos exemplos brasileiros. Multinacionais como Unilever, Burger King e McDonald’s  já deram passos numerosos para proporcionar uma qualidade de vida melhor para os animais de criação – ou, como nós do Instituto Certified Humane Brasil gostamos de dizer, um tratamento mais humano às criaturas que nos servem de alimento. Por trás dessa tendência, há uma lógica poderosa: preservar o futuro desses negócios. Veja 5 razões pelas quais as grandes empresas estão investindo em bem-estar animal:

1. Atender às exigências dos consumidores. Cada nova pesquisa reforça a constatação de que, principalmente para a parcela mais jovem da sociedade, o bem-estar animal é um princípio quase inegociável. Pessoas na faixa dos 20 aos 35 anos preferem se relacionar com marcas e empresas cujos negócios não utilizem matérias-primas com origem em animais submetidos a maus tratos. No Brasil, por exemplo, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos mostrou que 56% dos consumidores se preocupam com os métodos de abate dos animais – e a maior parte dessas pessoas tem de 18 a 29 anos. Com a preferência dos consumidores, empresas investem em bem-estar animal e esperam o aumento da sua participação no mercado.

2. Proteger a imagem da empresa e a reputação de suas marcas. Mesmo consumidores que dão pouca importância à forma como os alimentos são produzidos passarão a rejeitar uma marca ou produto que ganhe a (má) fama de fazer mal aos animais. Pense no potencial destrutivo para os negócios de um único vídeo de maus tratos a um boi, a um suíno ou a uma galinha. Não há como encarar de outro modo: para qualquer pessoa normal, assistir o sofrimento de outra criatura é uma experiência das mais desagradáveis. Pesquisadores da escola de negócios Coppead, do Rio de Janeiro, constataram num estudo como a percepção do consumidor funciona. Eles questionaram quanto as pessoas estavam dispostas a pagar a mais por carne, leite e ovos cuja produção com boas práticas de bem-estar animal fosse certificada. A pergunta foi feita antes e depois da exibição de um vídeo de maus tratos aos bichos – após o vídeo ser mostrado, a parcela de quem afirmou pagar um adicional de 40% aumentou de 3 para 5 em cada dez pessoas.

3. Assegurar a eficiência e a produtividade. O livro Bem-estar animal como valor agregado nas cadeias produtivas de carnes, recentemente lançado no Brasil, traz diversos estudos  que mostram como as boas práticas de bem-estar animal tornam as granjas, sítios e fazendas mais eficientes – e esses ganhos de eficiência beneficiam toda a cadeia produtiva, até chegar ao consumidor final. Isso ocorre por uma série de razões. De acordo com os especialistas, animais bem tratados adoecem menos. Isso diminui a mortalidade e poupa custos com tratamento veterinário e medicamentos. Além disso, as normas para o transporte adequado dos animais diminuem os riscos de eles se machuquem – um problema do ponto de vista da produtividade, uma vez que a carne marcada por hematomas acaba sendo descartada ou têm perdas no seu valor de mercado.

4. Garantir a qualidade dos produtos.  Outros estudos incluídos no livro sobre o papel da criação humanizada nas cadeias produtivas de carne indicam que o  organismo de animais submetidos a situações estressantes sofre alterações físicas e químicas. No caso de bovinos e suínos a carne fica mais dura e perde a textura, o sabor e a coloração que os consumidores valorizam mais. Em outras palavras, os padrões de bem-estar animal contribuem para que a carne não seja rejeitada nem tenham seu valor reduzido nos supermercados.

5.Minimizar os riscos para os acionistas e investidores. No final das contas, qual negócio estará mais bem posicionado para dar retorno aos seus sócios e investidores: uma empresa que atende às expectativas dos consumidores, protege sua marca e sua reputação, busca se manter eficiente e produtiva e procura produzir com a qualidade adequada ou outra que não faz nada disso? Não restam muitas dúvidas de que a primeira é a mais promissora, por isso, as empresas investem em bem-estar animal.

Você é criador, dono de fazenda, responsável por um frigorífico ou agroindústria? Pense sobre essas 5 razões e o porquê grandes empresas investem em bem-estar animal. Pode ser que você veja nelas um bom caminho para seus negócios. O selo Certified Humane  é um atestado que, uma vez conquistado, mostra aos consumidores e clientes que utilizam matérias-primas de origem animal que as boas práticas de bem-estar foram asseguradas na produção – e que sua empresa, portanto, está interessada em reforçar aspectos positivos, como qualidade, confiabilidade, eficiência e segurança.

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