O rebanho bovino brasileiro é um dos maiores do planeta: em 2016, havia no país quase 220 milhões de cabeças, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com uma maior visibilidade do Brasil no contexto mundial de produção, é fundamental que as normas de bem-estar para bovinos de corte sejam disseminadas na pecuária brasileira.

Aproximadamente, um a cada cinco bovinos do mundo está no Brasil. Boa parte deles é destinada ao abate nos frigoríficos. Os pecuaristas brasileiros produzem, a cada ano, cerca de 10 milhões de toneladas de carne. Veja a seguir cinco aspectos para a qualidade de vida e bem-estar para bovinos de corte, prescritos pelas normas de certificação e essenciais para que um produtor possa obter o selo Certified Humane.

Alimentação adequada

Os bovinos de corte precisam receber alimentação suficiente para que se mantenham com plena saúde e capacidade de Alimentação: bem-estar para bovinos de corteprodução e reprodução durante toda a sua vida. Sua condição corporal é avaliada e monitorada regularmente, com especial atenção às fases de desmame, próximo ao parto e no início da fase de cobertura. Bovinos adultos e bezerros com mais de 30 dias de vida precisam receber alimentos ou forragem com fibra suficiente para ruminar.

As normas de bem-estar para bovinos de corte proíbem que a dieta seja composta por proteínas de origem animal, exceto leite e derivados. A ração também não pode conter antibióticos com fins profiláticos e outras substâncias promotoras do crescimento, ou melhoradores de desempenho. Qualquer medicamento só deverá ser usado sob a orientação de um veterinário para o tratamento de doenças.

Os bezerros recém nascidos  recebem atenção especial nas normas de bem-estar. As regras de certificação determinam que nas primeiras 24 horas de vida eles mamem diretamente das vacas. A substituição de alimentos líquidos por sólidos deve ocorrer gradualmente e o desmame não deve ocorrer antes de seis meses de vida, a não ser por recomendação de um veterinário.

Acesso à água

Bovinos adultos e bezerros devem ter acesso à água de beber limpa e fresca. Geralmente, um bovino precisa de aproximadamente quatro litros por quilo de peso. Os estábulos precisam ter uma fonte de água contínua. Parece óbvio, mas é bom ressaltar que os equipamentos onde os animais bebem devem ser mantidos limpos e deles não deve escorrer água num volume capaz de molhar as áreas de descanso. No pasto, deve-se tomar o cuidado para que os animais não tenham de caminhar muito até o recurso de água: a distância a percorrer não deve ser superior a 800 metros em terreno inclinado ou a 3.200 metros em áreas planas. As normas não recomendam a utilização de fontes naturais de água. Mas, se isso for necessário, deve-se evitar o risco de transmissão de doenças e contaminação do meio, respeitando as legislações vigentes.

Condições das instalações

Um dos aspectos da criação de acordo com as normas de bem-estar para bovinos de corte é que os animais tenham acesso  Manejo: bem-estar para bovinos de cortecontínuo ao ambiente externo, seja campo ou pasto. Nas instalações, não pode haver nada capaz de causar ferimentos recorrentes. As superfícies internas devem ser de material fácil de limpar, desinfetar e de substituir, em caso de necessidade.

O piso dos currais de manejo deve ser  antiderrapante, reduzindo o risco de escorregões e quedas – mas também não pode ser excessivamente abrasivo, o que causaria danos aos cascos. Portões e corredores precisam ser largos o bastante para que os animais passem livremente. A determinação é que bretes e corredores de serviço sejam projetados para evitar que o gado empaque e permitir que o rebanho se mova tranquilamente em fila única.

Exige-se que temperatura seja amena nos estábulos. A ventilação deve ser adequada, de modo a manter a umidade do ar inferior a 80%. Isso reduz a concentração de patógenos aéreos transmitidos pelos animais. É importante proporcionar ao rebanho áreas de sombra natural ou artificial,  seja nos piquetes de confinamentos ou no pasto, para que o gado possa se proteger do sol e do calor.

Áreas de descanso

Os bovinos de corte precisam ter acesso a áreas de descanso, nas quais tenham espaço para expressar seus comportamentos naturais – como se lamber, deitar e estirar os membros, se levantar e virar. É proibido amarrar os animais. Além de antiderrapante, o piso deve ser impermeável. As normas determinam que as áreas de descanso e de confinamento sejam suficientemente inclinadas para proporcionar a drenagem do ambiente.

Manejo do rebanho

Alguns aspectos do manejo com bem-estar para bovinos de corte merecem destaque. Um deles diz respeito aos barulhos causados pelas instalações. Portões, ferrolhos e outros equipamentos precisam ser silenciosos, de modo a evitar que o gado se estresse com os ruídos, uma vez que são uma espécie presa. Outro ponto importante é o cuidado com as instalações para embarque e transporte. A inclinação máxima das rampas para embarque nos veículos de transporte é de 20%. Essas áreas precisam ser bem iluminadas e mantidas limpas. No embarque, o veículo tem de ficar bem próximo do fim da rampa, para evitar que os bovinos escorreguem e caiam. A carroceria deve ser inspecionada frequentemente para assegurar que não haja pontas cortantes ou afiadas que possam ferir os animais e o piso deve ser antiderrapante.

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