Há uma regra não escrita no mundo dos negócios segundo a qual não se pode administrar aquilo que não dá para medir. Não é por outro motivo que há tantos rankings por aí comparando o desempenho das empresas em diversos aspectos relacionados à gestão e aos resultados.

Desde 2013, um ranking global avalia de que forma as companhias ligadas ao setor de alimentos – como frigoríficos, agroindústrias e cadeias de restaurantes – gerenciam boas práticas de bem-estar animal e prestam contas sobre isso aos consumidores, investidores e outras partes interessadas. Publicado pela organização não-governamental Business Benchmark on Farm Animal Welfare (BBFAW), ele lista 100 empresas e as classifica em seis níveis. No primeiro deles estão os negócios considerados líderes em boas práticas de bem-estar animal – no sexto e último ficam aquelas em que há poucas evidências de comprometimento com o assunto.  Veja o link para o relatório completo, em inglês: https://www.bbfaw.com/media/1450/bbfaw-2016-report.pdf.

A BRF chegou mais perto do topo

porca boas práticas de bem-estar animalEm 2016 uma companhia brasileira passou a ocupar o 2º nível, aproximando-se de um patamar de liderança em bem-estar animal. O feito foi realizado pela BRF. Em 2015 a empresa havia sido qualificada no 3º nível, constituído por empresas que já estabeleceram boas práticas na área, mas nas quais ainda há muito trabalho a ser feito. A evolução se deve, entre outros aspectos, ao fortalecimento dos processos internos da BRF para gerenciar o compromisso público de bem-estar animal e à busca de melhorias contínuas na empresa – como, por exemplo, a eliminação de 100% das celas gestacionais para suínos até 2026. É bom lembrar que no ano passado a BRF lançou a linha de pratos congelados criados em parceria com chef-celebridade britânico Jamie Oliver – os produtos receberam o selo Certified Humane, assegurando aos consumidores que os animais utilizados em seu preparo foram criados de acordo com boas práticas de bem-estar animal.

A notícia só não é melhor porque uma empresa brasileira que era classificada no nível 2 em 2015 perdeu posições: o frigorífico Marfrig caiu para o nível 4, no qual estão as empresas que estão com a implementação de boas práticas em andamento. Segundo o relatório, a queda se deve em parte à diminuição na quantidade de informações relacionadas às boas práticas e bem-estar animal disponíveis nos relatórios da empresa no ano passado. A terceira empresa brasileira avaliada pelo ranking é o frigorífico JBS, que se mantém há três anos no 3º nível.

A BBFAW surgiu em 2013, numa associação de duas outras ONGs – a World Animal Protection e a Compassion in World Farming, ambas voltadas à defesa dos direitos dos animais. Não há, no momento, nenhum grupo com origem no Brasil situado no nível mais alto do ranking, reservado às empresas que lideram a aplicação de boas práticas de bem-estar animal em seus setores. Nele estão, porém, marcas bastante conhecidas pelos consumidores brasileiros, como a francesa Danone e a italiana Ferrero. A expectativa é que no próximo ranking mais grupos brasileiros apareçam – e que aqueles que lá já marcam presença possam melhorar suas posições.

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