Ovos de galinha estão entre as fontes de proteína mais baratas e acessíveis no mercado. São, além disso, ingredientes para numerosas receitas, sejam de pratos caseiros ou de comida industrializada. Trata-se portanto de um alimento muito básico. Mas nem por isso menos importante quando o assunto é o bem-estar das galinhas poedeiras.

Veja, por exemplo, o que a agrônoma Dayane Lemos Teixeira, pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica do Chile e da Universidade Federal de Santa Catarina descobriu. Ela perguntou a consumidores do Brasil e do Chile como eles consideram que deva ser uma granja de ovos ideal. Pois bem: no topo das preocupações dos consumidores com a qualidade da produção de ovos está o bem-estar das galinhas poedeiras. Essa é característica mais importante para cerca de 33% dos brasileiros e 37% dos chilenos.

 
Esses resultados foram tema de uma reportagem na edição de abril da revista Feed e Food, especializada em temas relacionados às agroindústrias inseridas na cadeia de produção de proteína. Nela, Dayane afirma que um dos aspectos que a pesquisa mostrou é a forma como os consumidores relacionam o bem-estar das galinhas poedeiras e de animais em geral com a produção de alimentos de melhor qualidade. Os consumidores que disseram valorizar aspectos como a qualidade de vida das galinhas poedeiras, a ética dos produtores e a alimentação natural também se mostraram dispostos a pagar até 5% mais por ovos produzidos nessas condições.

Muitas galinhas poedeiras ainda vivem em condições insalubres

galinha poedeira: bem-estar animalO bem-estar das galinhas poedeiras é, de fato, um tema fundamental na produção de ovos. Em muitas granjas elas são criadas num ambiente mais do que desconfortável, insalubre. Nos casos mais extremos, elas passam a vida em gaiolas minúsculas e superpovoadas, sem o espaço necessário para se movimentar. Numa situação como essa, não é de surpreender que as aves fiquem extremamente estressadas. Numa tentativa infeliz de corrigir esse problema, criadores pouco sensíveis às necessidades dos animais incorrem em outros absurdos: muitos mutilam as galinhas, cortando os bicos para evitar que elas briguem entre si e se machuquem. Não é difícil imaginar o quanto esse procedimento, tecnicamente chamado de debicagem, é doloroso.

Veja o que se afirma no artigo “Alternativas e Consequências da Debicagem em Galinhas Reprodutoras e Poedeiras Comerciais”, publicado pela Embrapa em 2008: “A debicagem pode comprometer por algum tempo o comportamento alimentar da ave, havendo a necessidade de um período para a reabilitação (…) Possivelmente devido à dor causada por esse procedimento, o tempo gasto para alimentação e para beber diminui e o tempo gasto cochilando aumenta”. Leia o artigo na íntegra.

 
Um horror, não? Felizmente, recentemente grandes indústrias no Brasil e no exterior estão tomando medidas firmes para combater esse tipo de prática. Para ficar em apenas um exemplo recente, do qual já falamos aqui, é o da Brazil Fast-Food Corporation, dona de marcas como Bob’s, Pizza Hut, KFC, Yoggi e Doggis: até 2025, 100% dos ovos comprados pelo grupo terão de vir de fornecedores que comprovem a adesão a boas práticas de bem-estar animal. A cada dia que passa, mais consumidores vão pressionar por esse tipo de compromisso, melhorando a qualidade de vida de milhões de galinhas.

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