Descrição do Projeto

Operações Certificadas – Fazenda São Bento

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A Fazenda São Bento é a primeira fazenda de gado leiteiro no Brasil no programa Certified Humane®.

A Fazenda São Bento é a primeira fazenda de gado leiteiro do Brasil no programa Certified Humane®. Sérgio Costa é o responsável pela São Bento, uma fazenda de 370 acres em Cachoeira Paulista, São Paulo, Brasil. É a primeira operação de gado de leite na América do Sul e apenas uma das duas explorações leiteiras sob os referenciais da HFAC – Humane Farm Animal Care.

De acordo com Adele Douglass, diretora executiva da HFAC, muito poucas explorações leiteiras nos EUA querem cumprir as normas exigidas pelo programa Certified Humane®.

“Nossas normas são muito rigorosas e a maioria das fazendas produtoras de leite não estão dispostas a realizar as mudanças necessárias para se qualificar à certificação”, disse Douglass. “Ficamos muito impressionados com o quão consciente é a Fazenda São Bento em relação ao bem-estar animal.”

Terceira geração de fazendeiros familiares

A Fazenda São Bento começou 50 anos atrás, quando Francisco José de Andrade Costa (avô de Sérgio) adquiriu 700 hectares (cerca de 1.750 acres) na cidade de Cachoeira Paulista (SP), entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. No início de 1960, o governo ficou com 80% das terras agrícolas para estabelecer o Centro Nacional de Previsões Meteorológicas e Pesquisas Espaciais. Como resultado, a família Costa perdeu 550 hectares (1.375 acres) de suas terras agrícolas. Por isso decidiram concentrar as suas operações na produção de leite.

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Sérgio Costa e seus pais, Danilo de Andrade Costa e Dulce Maria Valadão Cardoso participando das suas palestras sobre agricultura. “O bem-estar animal foi sempre uma prioridade crescente na fazenda”, diz ele. “Tudo o que minha família fez foi melhorar a qualidade de vida dos animais. Essa foi uma ética que meus pais incutiram em mim desde jovem”.

O avô e o pai de Costa, Danilo de Andrade Costa, cuidava da fazenda de gado leiteiro. Mas segundo ele, sua mãe, Dulce Maria Valadão Cardoso, uma professora, era quem fazia a maior parte do trabalho agropecuário, pois o pai viajava muito em função da sua atuação na Força Aérea Brasileira. “Lembro-me dela protegendo a fazenda dormindo muitas noites em um fusca com uma espingarda Winchester ao seu lado”, disse Costa. “Embora meu pai sempre tenha sido o cérebro organizador da fazenda, minha mãe teve que assumir a responsabilidade de proteger a terra, desde quando ela era a única pessoa na fazenda, época em que vários furtos ocorriam”.

Como filho único, Costa ajudou a mãe na fazenda. Aos 14 anos, no entanto, seus pais o enviaram para os Estados Unidos para passar dois anos na Escola Orme em Mayer, Arizona, um internato onde ele começou sua formação agrícola formal.

Em 2006, Costa se formou na Universidade Federal de Lavras (MG-Brasil), com licenciatura em Agronomia, ciência e tecnologia de produção e utilização de plantas para alimentos, combustíveis, fibras e recuperação de terras. Ao concluir seu mestrado em 2008 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sérgio assumiu os negócios da fazenda da família e começou uma nova era de criação de gado leiteiro que envolveu um enorme programa educacional para ajudar outros agricultores da região a aprender sobre práticas agrícolas humanizadas.

Antes de voltar para a Universidade Federal do Rio Grande do Sul para o seu PhD em Ciências do Solo, Costa trabalhou com sua equipe em práticas agrícolas animais sem crueldade para garantir o cuidado e bem-estar dos seus animais. Seu gerente da fazenda, que só estudou até a quarta série, voltou a estudar e aprender as habilidades necessárias para utilizar o software da fazenda para manter Sérgio informado sobre as operações agrícolas, enquanto estava na escola.

“O bem-estar animal foi sempre uma prioridade crescente na fazenda”, diz Costa. “Tudo o que minha família fez foi melhorar a qualidade de vida dos animais. Essa foi uma ética que meus pais incutiram em mim desde jovem. Portanto, é importante que eu ensine o meu pessoal a estar sempre à procura de ferramentas e recursos que monitorarem o rebanho para garantir o melhor em bem-estar animal”.

Transmissão de conhecimentos para além da agricultura familiar

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A vida na Fazenda São Bento.

Costa diz que nem todas as fazendas no Brasil são familiares, onde o conhecimento é passado de uma geração para outra. “Senti que era importante mostrar aos futuros técnicos agrícolas que a criação de animais não se trata apenas de alimentá-los ou abrigá-los, mas que vai muito além disso de modo que animais e pessoas na fazenda sintam-se bem”, diz ele.

Para isso, Costa criou um programa educacional informal sobre gado leiteiro para alunos do ensino médio e da universidade local agrícola chamado Programa MEQ “leite, educação e qualidade”. Foi lançado como um programa de treinamento informal para dar aos alunos oportunidades de estágio em fazendas e aprender a atuar em um laticínio humanizado.

Não era assim até 2013 quando Costa ouviu falar no programa Certified Humane Raised and Handled®, baseado nos Estados Unidos, através da Korin, um produtor avícola brasileiro e a primeira organização na América do Sul a se tornar Certified Humane® em 2009.

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Hora da Alimentação na Fazenda São Bento.

“Quando a Korin começou a descrever o programa, eu descobri que era o tipo de certificação que se encaixaria em nossos “princípios éticos de qualidade”, que considera o equilíbrio entre o bem-estar animal, bem-estar da equipe, educação e formação, e respeito ao meio ambiente “, diz Costa. “Nossa missão é ir acima e além dos cuidados com animais e garantir o cumprimento dos mais elevados padrões de bem-estar animal. O Certified Humane® se encaixa perfeitamente à filosofia de nossa fazenda”.

Vida em uma Fazenda brasileira

Costa diz que, no Brasil, como o resto do mundo, os consumidores estão se tornando mais conscientes sobre a origem da sua alimentação e como os animais de criação são tratados.

Seu programa de alimentação facilitou o cumprimento dos padrões nutricionais da Certified Humane®. A fazenda, que é o lar de 140 vacas leiteiras, 30 vacas secas, um touro e 200 novilhas, todas vacas com cruzamento de Zebu-Holstein, com pastagem de grama Bermuda e pastagens Brachiaria (grama paliçada) de novembro até abril, que é a primavera e o verão no Brasil. A silagem de cana de açúcar torna-se a principal fonte de forragem de maio a outubro, que são os meses de outono e inverno no Brasil. O projeto futuro da fazenda envolve irrigação de áreas de grama Bermuda, que são sobresemeadas com azevém para pastagem de junho a setembro.

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“Nunca há quaisquer antibióticos, hormônios ou subprodutos animais em qualquer dos alimentos”, diz Costa. “As pessoas podem pensar que somos loucos por colocar tanto foco no bem-estar animal”, diz ele. “Mas meus pais me ensinaram como cidadão, que era meu dever fazer o que eu pudesse para tornar as coisas melhores. Queremos nos tornar um modelo para outros agricultores e demonstrar o bem-estar animal. ”

Costa está tomando seu conhecimento da atividade leiteira humanizada e compartilhando-o bem além das fronteiras do Brasil. Além de ensinar os agricultores e estudantes brasileiros sobre como operar uma fazenda de gado leiteiro com princípios humanizados, a Fazenda São Bento também se tornou a sede de um programa de treinamento internacional para estudantes da Dalum Landbrugsskole Agricultural College, da Dinamarca. Ademais, Costa está criando o TECHMILK, um programa formal de treinamentos de até dois anos, que prepara os alunos agrícolas para se tornarem gerentes de negócios de laticínios humanizados. Este programa será lançado no próximo ano, em parceria com a Cooperativa Castrolanda, Escola Agrícola do Instituto Cristão de Castro e Serviço Nacional de Aprendizagem Agrícola do Paraná.

“Queremos treinar os alunos e ampliar a sua aprendizagem sobre como realizar suas atividades em conformidade com as normas do programa Certified Humane”, diz Costa. “Queremos que entendam por que eles fazem certas coisas a animais de criação – e, em seguida, usar esse conhecimento e compartilhá-lo com outras fazendas ao redor do mundo. Nossa esperança é que possamos ser um catalisador para a mudança das práticas em fazendas de gado leiteiro em todos os lugares”.

Para obter mais informações, visite o site da fazenda São Bento em  www.querenciasaobento.com.br

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