As galinhas poedeiras merecem toda a nossa atenção. Afinal, são elas que nos presenteiam com uma das fontes de proteína mais baratas e acessíveis do mercado: o ovo.

No Brasil, a produção de galinhas poedeiras vem crescendo. É possível optar por uma criação humanizada, do nascimento ao abate – aves de postura criadas com conforto e bem-estar são mais eficientes, resultando em ovos de melhor qualidade. Vamos lhe mostrar apresentando neste post as regras principais para obter a certificação de bem-estar animal para galinhas poedeiras.

O primeiro item a ser observado para a conquista do selo de bem-estar animal para galinhas poedeiras é o tipo de criação. A Certified Humane exige que os produtores sigam o sistema cage-free, ou seja, que exclui e abomina o confinamento em qualquer tipo de gaiola. O que prevalece é o respeito ao comportamento natural das galinhas poedeiras, que podem circular pelo ambiente externo sem aprisionamento algum.

Alimento e água

Água fresca e uma dieta elaborada em vista do bem-estar animal são primordiais na criação de galinhas poedeiras. Por isso, o número de comedouros e bebedouros é importante para que não haja competição na hora de comer e beber.

São exigidos espaçamentos específicos para que as aves de postura tenham fácil acesso ao alimento – 5 cm para comedouros com acesso em ambos os lados, 10 cm para aqueles com acesso em apenas um lado e 4 cm para comedouros circulares. A ração das galinhas poedeiras não pode conter nenhum tipo de ingrediente derivado de proteína de mamíferos ou de aves, com exceção de ovos. Quanto aos bebedouros, é obrigatório 1 para cada 100 galinhas poedeiras (tipo pendular), 1 para cada 12 animais (tipo nipple) e 1,27 cm por ave (tipo calha).

Além disso, a alimentação não pode conter, impreterivelmente, nenhum tipo de antibiótico preventivo ou promotor de crescimento na alimentação dos animais, sendo que estes são permitidos somente para o tratamento de alguma possível doença. Já a coccidiose pode ser prevenida através de vacina.

Ambiente

O ambiente em que as aves de postura são mantidas deve atender às suas necessidades de bem-estar, sendo projetado para que elas se protejam do desconforto térmico e físico, medo e estresse, podendo agir naturalmente. Exige-se que seja oferecido 1 ninho individual para cada 5 galinhas poedeiras, ou 0,8 m² de área de ninho coletivo para cada 100 aves. É permitida a coleta automática dos ovos.

Os poleiros não são uma exigência nem do sistema orgânico, nem do caipira. Mas sim, da Certified Humane. Eles são obrigatórios a todo o momento, durante o dia e a noite, e devem conter 15 cm por ave. No caso de um galpão com 1.000 animais, por exemplo, são necessários 150 m de poleiro (sem altura pré-determinada, desde que 20% do total esteja entre 40 centímetros e 1 metro). Na recria os poleiros também são obrigatórios a partir da 4ª  semana, com um espaço de 7,5 cm lineares por franga.

Alojamento

As granjas devem planejar a iluminação dos galpões, pois as galinhas poedeiras precisam ter garantidos períodos mínimos de 8 horas de luz artificial contínua e/ou de luz do dia; e um período mínimo de 6 horas de escuridão contínua ou do período natural de escuridão, caso seja inferior.

Ainda sobre os galpões, a densidade máxima permitida varia em função do tipo de alojamento. Para galpões com piso único, são necessários 0,14 m² por ave, o que significa aproximadamente 7 aves por m². Quando há alguma área elevada com slats, a densidade máxima é de 0,11 m² por ave ou cerca de 9 aves por m². Para aviários de diversos níveis a densidade máxima permitida é de 0,09 m² por ave ou em torno de 11 aves por m² de piso disponível.

A ventilação e a temperatura para a criação de galinhas poedeiras devem ser controladas, enquanto a concentração de amônia permitida à altura das aves nas granjas deve ser de no máximo 10 ppm. Finalmente, a gestão da cama é de extrema importância: pelo menos 15% da área de piso disponível deve ter substrato adequado, permitindo que várias galinhas poedeiras tomem banho de poeira simultaneamente. A contaminação da cama ou cama úmida são não conformidades que podem impedir a certificação de bem-estar animal Certified Humane.

Saúde

É necessário que as granjas adotem um planejamento sanitário dos animais, desenvolvido e atualizado regularmente a partir de consultas a um veterinário. As galinhas poedeiras doentes ou feridas devem ser segregadas e tratadas imediatamente; por isso os galpões necessitam contar com uma área específica para este fim.

Prática recorrente no sistema convencional, a debicagem é vetada pela Certified Humane. O que se permite fazer é o aparo de bicos, mas somente até os 10 dias de idade e até um certo nível, conforme o indicado no referencial. Ainda, não se permite a indução da muda através da privação de alimentos.

Gestão

Todas as pessoas envolvidas com o manejo das aves deve conhecer o referencial de bem-estar animal para galinhas poedeiras. Além disso, treinamentos devem ser ministrados visando o entendimento das normas por todos os tratadores. Todas as aves devem ser inspecionadas pelo menos duas vezes ao dia utilizando um procedimento que identificará todos animais doentes, feridos, presos ou que apresentarem comportamento anormal. Estas devem ser tratadas instantaneamente, de maneira apropriada.

Devem ser mantidos registros para o correto monitoramento da operação, incluindo dados da produção, uso de medicamentos e vacinas. Os seguintes apontamentos devem ser disponibilizados ao inspetor da Certified Humane: galinhas poedeiras que entram e saem, produção de ovos, mortalidade (as razões deverão ser declaradas, se forem conhecidas), consumo de alimentos e de água, temperaturas máximas e mínimas, ventilação e níveis de amônia.

Free-range e caipira

Os padrões da Certified Humane para a certificação de galinhas poedeiras não requerem que as aves tenhamGalinhas poedeiras free-range acesso a uma área externa, quando o clima permitir. No entanto, quando este acesso existe, o programa permite que se faça referência aos sistemas free-range ou caipira, desde que as regras específicas determinadas no capítulo 4 do referencial sejam observadas. Os critérios do sistema caipira são compatíveis com a norma da ABNT NBR 16437:2016. Vale dizer que para os sistemas free-range e caipira, todas as exigências impostas pela criação cage-free devem ser seguidas, além de outras características próprias.

Ficou interessado? Baixe as normas para a certificação de galinhas poedeiras e priorize o bem-estar animal na produção de ovos no seu sítio ou fazenda.

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