O modelo tradicional de produção de aves está perdendo o seu espaço. As galinhas criadas sem gaiolas, felizmente, retratam uma realidade cada vez mais presente nas granjas brasileiras.

Esse é o sistema de produção cage-free, que dispensa e abomina qualquer tipo de confinamento em gaiolas, respeitando as condições de bem-estar animal. Neste modelo, as galinhas criadas sem gaiolas podem agir naturalmente. Os alojamentos devem estar disponíveis a todas as aves para mantê-las secas e protegidas de predadores ou do clima adverso.

O nicho de mercado para a produção de galinhas criadas sem gaiolas é favorável e está em expansão, visto que os consumidores estão ficando mais exigentes com relação a escolha de mercadorias provenientes de criações com bem-estar animal. Além deles, ONG’s e grandes redes de restaurantes estão direcionando o foco para produtos gerados com empatia e um manejo mais responsável.

Gigantes como McDonald’s, Burger King e Giraffas anunciaram que a partir de 2025 usarão somente mercadorias de granjas que utilizem o sistema cage-free. No início deste ano a Aurora Alimentos, também se colocou a favor do fim do engaiolamento das aves. A empresa irá usar, em até sete anos, somente ovos de galinhas criadas sem gaiolas.

O movimento ainda é tímido no Brasil comparado a outros lugares, como a Europa, mas já está se estruturando. Na França, por exemplo, a venda de ovos frescos produzidos por aves do sistema tradicional será proibida a partir de 2022, conforme anunciou o governo deste país no último domingo (25). A partir desta data será possível apenas a compra de ovos de galinhas criadas sem gaiolas. Lá, algumas redes de supermercados já se anteciparam e estão vendendo apenas produtos gerados no sistema cage-free. Por aqui, um dos obstáculos para a propagação do modelo de criação responsável está, segundo especialistas, no custo de produção mais alto em comparação ao tradicional.

Galinhas criadas sem gaiolas são o futuro

bem-estar animal: cage freeA Humane Society International (HSI) é uma organização que trabalha pelo fim da criação de galinhas em gaiolas. Segundo a HSI, mais de 50 empresas brasileiras já anunciaram o fim, antes ou a partir de 2025, de ovos provenientes destas estruturas.

A especialista em comportamento e bem-estar animal da organização, Maria Fernanda Martin Guimarães, afirma que as aves confinadas não expressam os seus comportamentos naturais. Para ela, o futuro da produção de ovos é a partir do sistema cage-free, livre de gaiolas. Nós, da Certified Humane, acreditamos neste mesmo cenário. Sem dúvida, o respeito ao bem-estar dos animais deve vir sempre em primeiro lugar.

As galinhas criadas sem gaiolas podem circular livremente pelo ambiente externo sem que sejam aprisionadas. Outros itens, como o acesso a água e comida sem gerar competição indevida e um ambiente favorável ao comportamento natural das aves também devem ser considerados. Essa liberdade, que dá às aves um maior bem-estar, é um estímulo para que o modelo comece a ganhar uma maior visibilidade dos granjeiros.

O novo modelo ainda é recente. Felizmente, o cenário está mudando, ainda que timidamente. A criação de galinhas longe de gaiolas gera o bem-estar animal para as aves, que merecem respeito, e significa uma sensação de “dever cumprido” para os granjeiros, com práticas mais naturais de produção.   

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