A World Animal Protection (WAP), organização não-governamental que se dedica aos direitos dos animais, está promovendo um abaixo-assinado para melhorar o bem-estar dos suínos do Brasil.

O país detém o quarto maior rebanho de porcos mundial e é um dos líderes globais em tecnologia e produtividade. Apesar de tudo isso, o bem-estar dos suínos ainda deixa muito a desejar. Milhões de animais, segundo a WAP, ainda nascem em condições inadequadas, crescem em ambientes desconfortáveis e são abatidos com crueldade. Para mudar esse cenário, a entidade está promovendo em seu site um abaixo assinado a favor do bem-estar desses animais no país.

O objetivo da WAP é convencer os suinocultores brasileiros que ainda não acordaram para a necessidade de investir no bem-estar animal dos suínos e mudar de atitude. O abaixo-assinado pede ao Ministério da Agricultura a criação de normas para acabar com as práticas ultrapassadas e cruéis na criação de suínos. De fato, o problema para os leitões começa na maternidade. Muitos criadores ainda mantém as matrizes em gaiolas apertadas, nas quais elas mal tem condições para se mexer – quanto mais para se movimentar de maneira natural. Isso causa uma enorme carga de estresse. Depois, os animais acabam muitas vezes se desenvolvendo em galpões superlotados, disputando espaço, água e alimentos.

Nessas condições, o nível de agressividade aumenta. Os porcos brigam entre si, machucam-se e, em muitos casos, matam-se uns aos outros. Todo mundo perde com isso: os animais sofrem desnecessariamente e os produtores jogam dinheiro fora. Diversos estudos mostram que as boas práticas de bem-estar animal aumentam a produtividade e a eficiência da suinocultura.

O problema é que essa realidade é pouco conhecida pela a maioria da população. Para angariar assinantes à petição, a World Animal Protection está mostrando às pessoas os aspectos mais desagradáveis de uma parcela importante da suinocultura brasileira. Veja um vídeo sobre uma exposição que a ONG fez recentemente para apresentar às pessoas na Avenida Paulista – uma das mais movimentadas do país – as diferenças entre a forma cruel como boa parte dos suínos brasileiros é criada, o que a legislação brasileira determina e como é o modelo considerado ideal.

A boa notícia é que situações como as descritas no vídeo tendem a acabar. Uma boa parcela dos consumidores já acordou para a necessidade de batalhar pelo bem-estar, do conforto e da qualidade de vida dos animais. Independentemente do que diz à lei, as normas de bem-estar animal a que se submetem empresas de alimentos e criadores certificados com o selo Certified Humane proíbem qualquer das práticas condenáveis. Nas granjas, os suínos precisam ter espaço suficiente para dormir com conforto, movimentar-se com liberdade e expressar seus comportamentos naturais. Há regras rígidas prescrevendo a quantidade adequada de água e alimento, além da qualidade do ar. O padrão é elevado: nenhum animal deve ser submetido à sofrimento.

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